Abraço

Descobri que dia 11/11 terá show do Moveis Coloniais de Acaju na FNAC aqui em Goiânia, e claro, eu irei! Então aqui de bobeira eu resolvi pesquisar o nome do Beto Mejía aqui no google encontrei seu site pessoal, eu sabia que a música Dois Sorrisos (só que com outro nome "Você") era dele, pois foi a partir dela que eu passei a conhecer seu trabalho e descobri a Moveis Coloniais de Acaju, mas não sabia que ele tem um cd digital gravado e que escrevia tão perfeitamente. Então estou ainda mais encantada por ele, e não vejo o dia de ir no show da banda.


Mas vim aqui não exatamente para falar sobre isso, e sim para compartilhar com vocês um texto que eu achei muito lindo, de autoria do próprio Beto Mejía, que descreve o nome do seu álbum solo: EP Abraço.

ABRAÇO    – Na entrada, um alto portão de madeira. Ao fundo, floresta e cachoeira. A bica de água que corre pelas pedras se escuta de longe. Várias pessoas em fila conversam em tom baixo e se entreolham. Todas de branco. Algumas sorriem. Outras cantam. E algumas até nem parecem estar ali de tão concentradas que estão. As portas se abrem e um a um vão entrando no lugar. A cortina de fumaça embriaga e purifica. O cheiro é bom. Nos dois lados, duas estátuas. Vermelho e Azul. Eu as cumprimento e peço licença. De cabeça baixa, me sento e busco tranquilidade ao olhar o pilar daquela casa. Casa de palha e de luz. O conforto que sinto é belo e simples. Procuro os tambores e, logo, eles vem a mim. A música começa e o ritual também. Bato palmas e firmo o pensamento. Já já Eles chegarão do alto. Bem do alto. Arrepio ao ouvir o primeiro grito, a primeira demonstração de força e choro, ao perceber que quase tudo ocorre às cegas. O movimento na casa é flutuante. Os pés no chão uma certeza e necessidade.

O corpo frágil de mulher ganha a imensidão de
 um gigante. Em seguida, os outros vem. E nesse instante, o céu vem ao chão. Tudo é festa e felicidade: cumprimentos de braços e almas, pés que dançam na areia, fitas coloridas que enfeitam testas, mãos e cabeças que beijam e riscam a terra, linhas imaginárias que surgem e fecham corpos. Sabedoria, amparo e cumplicidade. Só assim funciona e só assim se manifesta.

O abraço vem. Ele contorna e preenche todos os movimentos. Não é só um gesto ou uma expressão do corpo. É o abraço que dá sentido a tudo. É o momento eterno em que dois ou mais se tornam um. É ao mesmo tempo o encontro e a despedida. É o instante no qual se doa e se recebe. É o momento de amor. E só amor.

Um abraço pra você.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013 @ 19:27 0 comentários